Caixa de texto: Artes Plásticas
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Valquíria Gesqui Malagoli

Literatura, música, artes plásticas, saraus, oficinas e exposições

Nas artes visuais desde 2010, vem participando de mostras coletivas.

Sua primeira individual deu-se em 2012, quando durante o mês de abril levou a público, na Galeria Glória Rocha, “Estudo Poético”, um retrato sob técnicas diversas de desenho e pintura, de autores da Literatura Nacional e Internacional. Em seguida, até 2013, esta exposição itinerou pela Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, encerrando o percurso no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí – Solar do Barão.

Contrastes

 

Mil contradições

Há nos corações

Tudo está nos versos

Neles nós emersos

 

Tudo e um pouco mais

Ódio amor fugaz

Tudo o que se quer

Disse-o Baudelaire

 

Disse e sobre o dito

Mal é o dito cujo

Que diz que ele é o sujo

Que ele é que é o maldito

Algumas exposições

“Estudo Poético” – estreia da poetisa e escritora Valquíria Gesqui Malagoli no campo das artes plásticas.

São onze obras que compõem um estudo de técnicas e materiais distintos, bem como dos autores (da Literatura Nacional e Internacional) selecionados.

Desenho e pintura juntam-se aos poemas e textos autorais também na composição da mostra.

A curadoria é assinada pela artista plástica, amiga e mestra desde 2009, Cecília Celandroni.

Difundir tanto as artes plásticas quanto a poética, apresentando-as sob a particularíssima percepção de múltiplas faces e aproximando o público dessas duas linguagens, sensível e simultaneamente – eis o objetivo da autora.

 

Charles Baudelaire

nanquim sobre giz pastel oleoso

25x35cm

 

 

Ler um soneto de Florbela Espanca

estanca em minhas veias, num momento,

sentimento confuso... torvelinho...

Um bom vinho, então, bebo; molho a boca,

louca, a buscar a fórmula, o remédio

para o assédio covarde, alucinante.

Dante, Camões, Drummond, gritem-me versos...

Submersos em tintas, oh, pintores,

com cores cubram, tinjam cos pincéis

mil anéis que me prendem à ilusão.

Florbela Espanca

aquarela sobre canson

35x45cm

 

“A poesia não quer adeptos: quer amantes”

 

O poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936) viveu conforme suas palavras até ser fuzilado em 1938 por adeptos do regime franquista que se instalara em seu país.

Considerado mais perigoso com a pena do que outros com um revólver, García Lorca foi uma das primeiras vítimas das cerca de um milhão que morreriam na Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Não obstante sua identificação com Cristo e a temática da cruz, criticava a igreja enquanto instituição.

Música e desenho também eram talentos seus.

Embora não fosse militante das causas políticas, não abria mão da sua liberdade. Ao morrer por ela, tornou-se uma espécie de mártir para os escritores de sua geração, e referência no mundo todo para sempre.

 

 

Menino-pássaro

Calaram seu bico?

Deram, ao tirar-lhe a pena,

asa a Federico.

Federico García Lorca

caneta fine line sobre couchê

35x35cm

Porto Poesia

(para Cecília Meireles, patrona da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí)

 

À tua sombra, Cecília,

nossa alma estribilha!

Teus versos em coro

servem-nos de ancoradouro...

 

Patrona da Academia,

és nosso farol.

Formamos atol

à luz de tua poesia.

 

A tua voz nos conduz:

porto e inspiração.

Dá-nos a bênção;

dize-nos, versando, “sus!”.

 

À tua sombra, Cecília,

nossa alma estribilha!

Teus versos em coro

servem-nos de ancoradouro...

Cecília Meireles

giz pastel oleoso sobre color set

30x40cm

 

 

 

 

 

 

Diverso

 

Chile... fauna... flora...

O que vai dentro e nos cora...

Neruda em desfile

Pablo Neruda

giz pastel seco sobre vergê

30x40cm

 

 

Clara

 

Transparente Clarice

            Tanto quanto

                         O quanto disse

 

Leve o lápis

             Grafite nu

                        Nuance e ápice

 

Clarice Lispector

grafite sobre canson

20x20cm

Instante

 

Eu jamais conseguiria

ser como João Cabral,

grande mestre da poesia

tão precisa e racional.

 

Ele até foi bom amigo

de românticos como eu.

Se hoje ouvisse isso que digo,

talvez fosse amigo meu:

 

"Ainda bem que é grande o mundo

para acolher meu lirismo

sem qualquer saber profundo,

preso ao fio do romantismo."

 

No ato de escrever se diz

o que se julga importante,

a mim – que sou aprendiz –

cumpre falar deste instante.

 

Assim, por rumos diversos,

continua a humanidade

a perdoar estes meus versos

sem qualquer genialidade...

João Cabral de Melo Neto

carvão sobre canson

25x25cm

Vida e morte de Hilda Hilst

 

 

De tudo Hilda riu

Da vida pouca

Da gente louca...

 

Do gran

Do alpiste

Riu Hilda Hilst

 

E concluiu

A vida em verso

O riso avesso...

 

De tudo Hilda riu

Tu também riste?

Hilda Hilst

óleo sobre tela

50x70cm

“para encontrar o azul eu uso pássaros”

(Manoel de Barros)

 

 

Sim e não

Pássaros vêm e vão

Ousadamente aéreos

Manoel não

E sim – é etéreo

Manoel de Barros

acrílica aguada sobre tela

50x70cm

O sagrado cotidiano espanto          

 

“(...) Uma parte de mim/ almoça e janta:/ outra parte/ se espanta./ Uma parte de mim/ é permanente:/ outra parte/ se sabe de repente.”.

Se como costuma dizer o autor dos versos acima, Ferreira Gullar, a poesia verdadeiramente nasce do espanto, então, tudo é poema!

Decerto, nem tudo irá para o papel, mas, que basta abrir os olhos para espantar-se, ah, isso é.

A poesia, aliás, existe porque a vida, esta sim, não basta. Isto foi Ferreira quem disse também – e tão bem!

Penso eu, até o poema tem duas faces. “Numa a gente se escreve,/ noutra se inscreve.”.

Bem, inútil seria tentar a esta altura esconder meu encantamento por Gullar. Ele está para mim, assim como Rilke para ele.

Quem? Rainer Maria Rilke, altamente considerado tanto pela obra inovadora quanto pelo estilo lírico. Ele nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875. São de sua autoria os contundentes versos de a seguir: “Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?/ Eu sou o teu vaso – e se me quebro?/ Eu sou tua água – e se apodreço?/ Sou tua roupa e teu trabalho/ Comigo perdes tu o teu sentido.”.

O espantoso ao lê-lo é ler-se nele, a despeito da coincidência ou não de crença, haja vista o contexto extrapolar conceitos de religião. Percebe?

O maranhense de São Luís, por sua vez considerado o maior poeta em atividade no Brasil, fala com semelhante veemência que o homem inventou Deus para que ele o criasse.

Eu não discuto; espanto-me.

Por isso (porque tudo me espanta, isto é, mexe comigo seja pela identificação seja pela estranheza), quando me perguntam se existe mesmo inspiração, afirmo que sim. Não é invencionice. Estranho é achar que ela esteja só no que é belo e, portanto, na ausência deste, inexista. E nem vamos, agora, discutir “beleza”...

Enfim, antes de prosseguirmos, melhor é ficar meditando à margem do que salta do silêncio gritante de umas páginas, aqui, ali, em Gullar, Em alguma parte alguma: “fica o não dito por dito.”.

Ferreira Gullar

lápis conté sobre canson

20x25cm

Antônio Emílio Leite Couto, nascido em Beira, Moçambique, em 1955, adotou o nome “Mia” por sua paixão pelos gatos. Fora isso, havia o fato de seu irmão menor, em tempos de infância, não conseguir dizer seu nome corretamente!!!

Abandonou a medicina a fim de dedicar-se inteiramente à escrita e depois também à biologia.

Ele, que iniciou seus lançamentos literários com a poesia, tem hoje suas obras traduzidas para o alemão, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano.

Mia Couto é filho de portugueses, e era militante da Frente de Libertação de Moçambique, lutando pela independência de seu país entre 1964 a 1974. Ajudou a compor o hino nacional moçambicano, e trabalhou para o governo durante a guerra civil culminada no período de 1976 a 1992.

Sua prosa é essencialmente poética, e a palavra, em seus escritos, convida sobretudo à atitude.

Mia Couto

bico de pena sobre canson

25x30cm

ciclo vital

ost

50x40cm

Renata Iacovino, Tama Sigulda e Valquíria

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